sexta-feira, 27 de junho de 2014

"Porque graças a Deus é sexta-feira"


Durante muito tempo eu atribuí essa frase a pessoas que não gostam de trabalhar ou, simplesmente, a pessoas que ficam contando os segundos pra poder enfiar o pé na jaca e não ter que acordar cedo no outro dia. Hoje eu consigo fazer uma avaliação mais justa da frase. Mas isso para aqueles sortudos, como Chico Pinheiro e eu, que não trabalhamos nos sábados (salvo situações excepcionais).

Para os "sortudos" como eu, graças a Deus é sexta-feira. Isso significa que amanhã eu não preciso andar por ruas esburacadas e alagadas, com água batendo no joelho, cintura, etc. Graças a Deus é sexta-feira porque amanhã eu não preciso usar um sistema de transporte público de péssima qualidade (porque não há adjetivo mais pejorativo para o caso). Graças a Deus que amanhã eu não preciso ficar dentro de uma lata de sardinha que o povo teima em chamar de ônibus, defumando, enquanto o trânsito não se move. Graças porque amanhã eu não vou precisar perder uma hora e meia da minha vida num percurso que deveria durar 20 minutos. E isso só de ida... graças porque não vou precisar andar por ruas em que o risco de ser assaltado ou morto é proporcional ao ato de respirar.


Dar graças porque posso ficar em casa, torcendo pra que não falte luz ou água e não ser obrigado a ouvir a péssima "música" produzida atualmente na cidade/estado/país, executadas no mais alto volume em celulares dentro dos ônibus/metrôs e carrocinhas de Cds piratas.

Porque Graças a Deus é sexta feira...

E por tudo isso que apontei, também começo a avaliar com mais justiça a frase "Odeio segundas"!

Música do dia

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Pra fazer direito...

Eu tenho notado uma certa tendência da atual prefeitura do Recife em querer "dificultar" as coisas pra quem tem carro. E não acho ruim não. Tem mais carro na cidade do que ruas. O trânsito fica um inferno (como todo mundo já sabe, já viu, já viveu... vive) nos dias com sol, principalmente nos dias com chuvas. Trânsito é sinônimo de apurrinhação, dor de cabeça, prejuízo, enfim: tempo perdido.

Ouvi dizer que há a intenção de tornar algumas ciclofaixas permanentes (ao contrário do que acontece hoje, quando a ciclovia só existe aos domingos e feriados)... já foi criada a zona 30 (área que corresponde a quase todo o Recife Antigo onde os carros só podem circular a 30Km/h). Foram cridas faixas exclusivas pra ônibus, onde veículos passeio não podem transitar (ou são multados), enfim, atitudes que, na minha opinião, visam fazer com que o cidadão saia menos de carro, diminuindo a quantidade de veículos nas ruas.

E não acho isso ruim. Muito pelo contrário. Acho que são atitudes louváveis. Muitos países radicalizaram para ter um trânsito melhor. Cobram fortunas por vagas de estacionamento, criaram faixas exclusivas para ônibus, ciclofaixas permanentes e, o principal, fizeram um sistema de transporte público eficaz; decente, digno. Metrôs que levam a todas as partes das cidades, trens e ônibus que se completam. Toda uma logística criada para que haja harmonia, sem transtornos.

Portanto, cara prefeitura, de nada vai adiantar criar todas essas dificuldades para os motoristas se não melhorar (e muuuuuuuuuuuuuuuuito) o sistema de transporte público atual, que é velho, desconfortável, ineficiente.


Se ficar só nisso, a única coisa que o estado vai ganhar é o ódio dos motoristas... e de todo mundo que ficar preso nos engarrafamentos. Principalmente o ódio daqueles que ficam presos no engarrafamentos dentro das atuais latas defumadoras de sardinha que são os ônibus.

Música do dia

Cara... uma banda que eu conheci ontem através do meu irmão... fantástica...



quarta-feira, 18 de junho de 2014

Cenas dos próximos capítulos...

Ainda sem tomar partido de nenhum dos lados, eu me pergunto se o que houve ontem foi uma "simples" reintegração de posse violenta ou se há um algo a mais na história.

Veja só: havia uma negociação em andamento e pessoas sérias dizem que havia um acordo para que tudo acontecesse de forma pacífica. E, do nada, a PM, que é comandada pelo governo do Estado, decide valer a ordem judicial de reintegração de posse datada de 29 de maio. Ou seja: o povo acordou e exclamou "Eita! Tem aquela ordem judicial de reintegração de posse..."

A quem interessou (ou interessa) essa reintegração de posse? Isso nós vamos ver no guia eleitoral em outubro...

Música do dia

terça-feira, 17 de junho de 2014

O primeiro

Eu não tenho uma opinião formada sobre o assunto. Não entendo do assunto. Apesar de lembrar que vivi em casas e brinquei em parques, minhas lembranças sempre são em apartamentos, centros urbanos, etc.

Tive uma namorada que entende do assunto e eu viajava numa coisa que ela fazia, as vezes, quando andávamos pelo antigo: de repente ela parava e comentava coisas do tipo "fantástico" e eu olhava na mesma direção e não via nada. E ela me explicava sobre formas, curvas, etc. Mesmo sem entender, eu achava massa. E queria poder ver a mesma coisa...

Sempre achei uma merda essa coisa do brasileiro só colocar cadeado depois que a casa é roubada. Sempre tomar uma atitude depois que a bolacha já caiu com o lado da manteiga no chão. E até agora acho que as pessoas deveriam ter se mobilizado há muito mais tempo. Afinal, o Cais José Estelita passou séculos abandonado. E quando foi posto a leilão, não me recordo de ninguém ter reivindicado nada para aquela área. Bom... dizem que antes tarde do que nunca. Não sei...

Tenho amigos sérios que são a favor do movimento, tenho amigos sérios que são contra. Sei que tem aquela leva de gente que "veste" a moda e que tem aqueles que são contra e não sabem nem o motivo. Eu continuo sem saber se sou contra ou a favor da demolição do cais, do projeto das empreiteiras ou do movimento. Como disse, não conheço o assunto e precisaria ter muitas explicações sobre o caso.

A única coisa que sei é que é que, se há uma negociação em andamento, um acordo, aquele que primeiro o descumpre/ignora/desrespeita perde a razão e a credibilidade.

Música do dia

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Just like that.

A verdade é que o povo brasileiro já foi tão vilipendiado que se acostumou a tanta corrupção. Talvez, agora, se sinta um pouco incomodado, mas ele já está acostumado. Tanto que ficou carente de valores. E quando aparece algo que não tem nada demais mas que não é visto no dia a dia, fica maravilhado.

Primeiro foi com Joaquim Barbosa. O afro-decendente (olha eu sendo politicamente correto aí, pra variar...) de origem humilde, que alcançou o cargo mais alto da justiça e que era, pasmem, honesto (pelo menos era essa a impressão que ele passava na época, quando julgava os mensaleiros). O povo ficou tão encantando em ver uma pessoa fazer nada mais que sua obrigação que começou a tratá-lo como herói. E olha que já rolaram rumores de que ele nem é essa honestidade toda...

Agora, ficou todo mundo encantado com a torcida japonesa. O brasileiro, acostumado com a falta de educação, ficou maravilhado com os japoneses recolhendo o lixo que haviam produzido durante o jogo contra a Costa Rica, em Pernambuco. Uma foto de um japonês recolhendo o lixo no estádio após jogo foi amplamente compartilhada nas redes sociais com legendas tipo "se fosse brasileiro...", "isso que é um povo educado", e coisas afins. Um encantamento só.

Nenhum dos exemplos acima é exemplo de ação fora do comum, excepcional ou sobre-humana. As duas ações são, meramente, obrigações de cada um. Mas... como diria Lulla, o problema é cultural.

Acha lindo ser honesto? Então não seja corrupto. Achou lindo os japoneses que não sujam os lugares por onde passam? Não suje. É simples assim.

Música do dia

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Pouparam a mãe do juiz

Nada me diverte mais que esse discurso da "elite dominante". Principalmente quando ele vem acrescido de cor. A "Elite branca dominante". Chega soa forte. Acho que, primeiro, devemos definir elite. Segundo o dicionário on line, elite é: 

 "s.f. O que há de melhor numa sociedade; o escol, a flor, a nata. Sociologia Minoria mais culta ou mais forte, dominante no grupo." 

Se for por essa definição, já começo dizendo que não acho que no estádio só tivesse o que há de melhor na nossa parca sociedade. Pra mim, elite é quem tem dinheiro. E acho que foi essa definição a que se referiram ao criticar os xingamentos. Quem tem dinheiro, ainda na minha humilde opinião, são empresários e políticos. Aí existe uma relação que a gente já conhece. Os políticos são financiados por? Isso mesmo: empresários. Financiar campanhas, no Brasil, significa a compra dos políticos (que se vendem sem a menor parcimônia, não importa que letras venham depois do P). E se eles compram os políticos, eles fazem que querem... inclusive xingá-los. Assim como os políticos fazem com o povo, mesmo com aqueles que não venderam o voto. Mas não creio que tenha sido só a "Elite branca" raivosa que xingou não... 

Pelas imagens que vi, eles, que estavam na área VIP e pagaram mil reais por um ingresso, podem até ter começado, mas não foram únicos. E não venham me dizer que todo mundo que estava na arena era elite. Ali tinha muita gente que usufruiu da inclusão social bradada pelo governo (que diz que o povo tem mais dinheiro, quando na verdade tem mais crédito... mas isso, como diria o narrador de Conan, é uma outra história). Gente que juntou dinheiro, que vendeu a alma, que dividiu em milhares de vezes para estar ali. Eles também xingaram. Mas como esse discurso da "elite blá, blá, blá" chama mais atenção, já viu, né? 

Ainda li em algum lugar que usaram xingamento machistas... Desde quando mandar tomar naquele orifício é um xingamento exclusivamente masculino para inferiorizar as mulheres? Menos, né?

Em uma coisa eu concordo: fui de uma falta de educação incrível. Mas só pra ser clichê, o que esperar de um povo que não tem educação...?  Não tem saúde...? Não tem segurança...?

O povo xinga até a mãe do juiz, que nunca fez nada a ninguém...


Em outra coisa tenho que concordar: não entendo por que nunca xingaram Maluf e outros. Será que esses nunca foram a algum evento?

Agora... é claro que querem pegar o episódio pra tentar ofuscar o fiasco que foi a abertura do evento que não pode ser citado, ofuscar todos os problemas que ocorreram e estão ocorrendo, enfim vitimizar a presidente (que, no estádio, se portou muito bem) para desviar a atenção do que acontece. Tudo culpa da elite branca dominante e raivosa...


Sei...

Música do dia

terça-feira, 10 de junho de 2014

Pelo que vejo da vida...

Eu gosto de fazer análises a partir do que vejo, do que vivo. Aí, hoje tava me lembrando de algumas com uma certa relação com educação, na minha opinião. Uma coisa que o povo adora é estereotipar. Não sei se todo o país ou todo mundo, ou se são os recifenses que tem essa mania. Mas como diria Xicó, só sei que é assim...

Na década de 80, como meu pai não me deixava usar o cabelo comprido, eu tentei usar o cabelo punk. Uma desgraça dos infernos mas mesmo assim usava (acho que foi por isso que meu pai parou de pegar, muito, no meu pé por causa do comprimento do cabelo). Por isso, o povo me chamava de New Wave, uma espécie de gel de cabelo que vendia na época.


Nos anos 90, já maior de idade e com meu pai pegando mais leve por causa do tamanho do cabelo, passei a usar óculos de aros redondos. Cabelo comprido, óculos redondo = John Lennon. Era assim que eu era chamado na rua...


Dos anos 2000 pra cá é que eu vejo como o gosto do povo (grande massa) é ruim, péssimo e reflete a falta de educação, a busca pelo ruim e o fim da qualidade. Um cara com cabelo comprido, não importa que tipo de óculos usa ou se usa óculos, se tá de preto, de branco, colorido, hoje em dia é o estereótipo daquele ruído insuportável que o povo (e só ele, mas, infelizmente é maioria...) chama de "forró estilizado".


Deus tenha pena desse povo que reflete a educação que recebe no que ouve... E o tal "forró estilizado" é só um dos ritmos. Ainda bem que aquelas pessoas que "fazem" outro ruído chamado de "funk carioca" não usam cabelo comprido. Senão, na rua, eu seria apontado como analfabeto... Aliás, na rua não porque o povo recebe a mesma educação... Eu me compararia a um analfabeto.


Começo aqui uma campanha: Que os "funkeiros" continuem usando aquele cabelo raspado. Tá ótimo...

Música do dia

terça-feira, 3 de junho de 2014

Nem sei que título colocar...

Enquanto você lê este texto, existem mais de 100 pessoas numa lista de espera por leito em UTI no Estado. Na quinta-feira passada (29/05), no período da manhã, existiam 196 pessoas nessa lista. Uma lista que muda todos os dias e tem nela inclusos crianças e idosos. Muitos em risco de morte iminente. E muitos deles com ordem judicial na mão, conseguidas no Ministério Público, e que são descumpridas pelo Estado, que alega não ter leitos. Ou seja, A justiça manda, o Estado descumpre é ninguém punido. Não... Seu Edinaldo foi punido, da sexta pro sábado. Sua filha morreu esperando um leito de UTI... E sua família tinha a ordem de um juiz que mandava a internação imediata. A ordem foi descumprida, a criança morreu e o estado (agora com minúscula) segue... ileso. E há muitos outros casos que podem ter o mesmo fim.

Hoje pela manhã, recebo em meu celular a notícia de que num lixão, em Jaboatão dos Guararapes, quando um gari manuseava um saco de lixo, caiu o corpo de uma criança, aparentando 3 meses de vida, completamente carbonizado. Ou seja, na melhor das hipóteses, a criança morreu (ninguém a matou), queimaram o corpo (ainda pensando no melhor, não foi queimada viva) e a jogaram no lixo. Pensei em colocar fotos que recebi, mas isso serviria pra que? Saber do fato já é revoltante demais...

Seria muito fácil fazer uma "crítica", questionar por que os "ativistas" não ocupam hospitais, escolas públicas, delegacias, etc. Seria uma análise muito rasa da questão. A conclusão mais ampla (e triste) a que chego é que não há foco. Estão todos correndo atrás de peixes isolados ao invés de se juntarem e cercarem o cardume...

Honestamente? Eu tinha outro texto programado pra hoje. Mas diante de tudo o que vi hoje, e o dia nem acabou, mudei o assunto. Fiz vários textos, li, reli, apaguei e acho que isso ficou o mais perto do que consigo pensar.

Música do dia

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Atrás do trio elétrico...


 
Não quero, aqui, apontar mocinhos e bandidos, certo e errado, essas coisinhas que o povo teima em bradar. Mas vou fazer uma pequena reflexão, e apenas do tempo em que vivo.



- Na campanha pelas "Diretas já", tinha trio elétrico.

- Nos comícios, tinha shows.
- Na campanha "fora Collor" (que foi transformada numa grande piada depois do "volta Collor"), tinha trio elétrico.
- No Estelita teve Siba, Lia de Itamaracá e mais alguns artistas.

Tudo de graça. Aí me pergunto:

Se o consórcio usasse a mesma estratégia e fizesse, no Marco Zero, por exemplo (piada sarcástica proposital), um show gratuito com Musa e Banda Lapada pró Novo Recife, não teria conseguido mais simpatizantes?

Sei que sou fã de Maquiavel mas tenho um "certo" receio do que vem por aí...

Música do dia

Bem apropriada para uma segunda...