quinta-feira, 8 de maio de 2008

Notícias que seriam engraçadas... ou não!



A Associação Pernambucana de Maconheiros faz hoje, às 15 horas, um ato na frente da Globo Nordeste, em protesto pelo uso errôneo de termos quando relacionados à maconha. Segundo o presidente da associação, Bartô Fumando, a mídia utiliza termos errados quando falam da maconha nos meios de comunicação. "Quando prendem um traficante, a mídia diz que ele foi preso com tantos papelotes de maconha. Isso tá errado e tem que acabar. O correto é: fulano foi preso com tantas 'dolinhas' de maconha, ou com uma 'dolá'... no máximo, com uma parada! A gente quer que isso seja corrigido", diz bartô. "Papelote é coisa de quem cheira pó, saca?", enfatiza o presidente. Ele ainda explica: "O nome surgiu quando os gringo (SIC) vinha comprar e pedia 'one dollar' de maconha. Como os avião (SIC) não saca inglês, começaram a chamar os pacotinhos de dolá".


Segundo o porta voz da Globo Nordeste, uma comissão será recebida pelos linguistas da emissora para tentar entrar num acordo.

Um dos manifestantes, que não quise ser identificado, informou: "A gente vai queimar, tudo, saca! Botar tudo na mente... urrúúúúúú´!"

A polícia militar já está informada do protesto e vai acompanhar o movimento a distância pra não "chapar" por tabela: "A gente tá de serviço... sabe como é...", informou um policial.

Histórias da vida...



Hoje, na hora do almoço, lembranças do passado vieram a tona quando decidi ir comer na antológica “Cascatinha”, biroska da rua 7 de setembro (Boa Vista) que já tem séculos na praça. Ia muito lá nos idos de 86, 87, quando freqüentava a “Mausoléu”, primeira loja especializada em rock que abriu no Recife.

A “Cascatinha” era um lugar minúsculo, onde se comia um cachorro-quente muito bom. Hoje, quando cheguei lá, notei que o lugar continua minúsculo, no mesmo canto, só o que caiu foi a qualidade do comestível. Mas eu comi mesmo assim (espero não me arrepender depois). Sabe como é... grana curta... Mas a Cascatinha foi só um motivo que achei pra falar da Mausoléu...

A Mausoléu é uma história a parte. Na década de 80, era muito difícil vc achar discos de rock e Heavy Metal aqui no Recife. Duas lojas monopolizavam o mercado: Aky Discos e A Modinha (que se não me engano, eram do mesmo dono). Nessas lojas você só achava o trivial, o básico. Discos antigos (já naquela época) do Iron Maiden, raramente um do Black Sabbath... Judas Priest, Ozzy, Deep Purple, quando apareciam, evaporavam. Sim por que, na época, os head bangers se comunicavam com uma facilidade incrível quando chegava alguma preciosidade. E olha que o celular nem existia... Vai entender.

Aí, abriu a Mausoléu... Foi uma felicidade geral entre todos aqueles que se vestiam de preto, usavem coturnos, calças rasgadas, correntes e todos os demais acessórios. Quando a loja abriu, um novo mundo também se abriu para os pobres rockeiros de Recife. Conhecemos o Metallica, o Slayer, Venon, Exodus... tivemos acesso a discos piratas do Sabbath, Deep Purple, Motorhead... Discos “picture” (sabe aquele vinil em que a capa do disco é pintada no próprio vinil? Pois é... picture) enfim, começávamos a nos sentir em outro mundo. Um mundo em que os lançamentos chegavam até nós. Claro que a preços bem salgados.

A decoração era coisa de head banger adolescente mesmo. Todas as paredes pretas... uma teia de aranha de nylon no teto... e o balcão! Ah... o balcão... O balcão era um caixão de criança (caixão mesmo... desses em que se enterram com pessoas dentro) e que tinha uma bandeira dos E.U.A na tampa...

O Staff da loja também era bem pitoresco; Caveira... o tatuador de meia idade cujo sexo oposto pra ele era o que estivesse na frente... Flávio, o dono da loja... carioca, metido a malandro que não aparecia com muita freqüência... e finalmente Papiro. Papiro era uma figura... Magro, alto, cabelo meio comprido, com uma tatoo de um ás de espadas no ante-braço esquerdo, ele era um cara gente boa mas de princípios duvidáveis... Princípios, moral e conduta questionáveis...

Tanto que a loja fechou por causa dele. Um belo dia, eu que matava aula quase todo dia pra ir lá, chego na Mausoléu por volta das 9 da manhã e a loja ainda estava fechada. Daqui a pouco chegou o Flávio. Como só estava eu no local, ele perguntou por que a loja ainda estava fechada (como seu trabalhasse lá. Mas eu vivia lá mesmo... então, é entendível...). Foi chegando mais gente até que chegou a namorada de Flávio, chorando e contou a bomba: Papiro tinha vendido tudo. Os discos, as fitas k-7, os pôsteres, até o ponto, que era alugado, ele tinha vendido e, claro, sumido do mapa. Nunca mais se teve notícias de Papiro... e a Mausoléu fechou. Rockeiro recifense não tinha sorte mesmo.

Tempos depois, vendo a transmissão da Bandeirantes de um show do Motorhead no Brasil, quem eu vejo: Papiro... cercado por uns 20 skin heads, rodando uma cadeira pra não apanhar... Mundo pequeno, não?